Considerações sobre o processo de avaliação dos textos inscritos para a formação da sexta turma (2020)

Foram 12 dias de avaliação dos textos inscritos para a formação da sexta turma (2020) do Núcleo de Dramaturgia Firjan SESI. Na madrugada de segunda para terça-feira (de 02 para 03 de março), fizemos as médias aritméticas das notas dadas pelxs três avaliadorxs e chegamos a uma lista de 26 pessoas que irão para a última etapa que consiste numa breve conversa comigo.

A partir dessas conversas, formaremos a turma desse ano, a ser composta por 15 integrantes.

Registro aqui que aquilo que mais me encanta (e assusta) nesse processo de avaliação é ver a profusão de tipos textuais: são muitas apostas extremamente pessoais, ora muito estranhas, ora textos abusados, reconhecíveis, impossíveis, textos apaixonados, cansados, cansativos, densos, muito urgentes, ora agitados, ora textos que instauram uma parada outra em quem lê, textos que voam, textos que te aprisionam e engajam…

Costumo pensar – e defender – que se o núcleo é um espaço-tempo de formação, não podemos definir de antemão que tipo de texto deva ser escrito e inscrito. Penso ainda que não há autoria, autoralidade, sem liberdade, sem a possibilidade do experimento e do experimentar.

Digo que todos os textos foram lidos e avaliadxs por avaliadorxs que não tiveram contato com os nomes dxs autorxs. Foram cerca de 800 páginas lidas. Nos encontramos apenas com os textos e isso é uma experiência muito intrigante, esse provisório “anonimato”: aquilo que você considera ao ler um texto não é o nome de quem escreveu, não são suposições sobre aquela determinada pessoa, nada a ver com currículos, formações, biografias etc.

O que você considera é o texto em si. Ele basta. O texto é tanto o meio como o caminho entre autorx e mundo, entre um e outro(s).

Daí penso sobre o fato de que a turma será composta por 15 autorxs. É pouco, mas já é tanto. Bom seria, a gente imagina, ter espaço para todo o mundo, mas como isso não é possível por agora, escrevo essas palavras na esperança de que aquelxs que se inscreveram e não foram selecionadxs para a última etapa possam saber que não é o caso, jamais, de parar de escrever.

Escrever, ao que me parece, não é coisa que carece de aprovação exterior para acontecer.

Escrevam, continuem escrevendo!

Precisamos ainda escrever muito para esse mundo se refazer.

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